quarta-feira, 20 de maio de 2009

O papel da crítica inumana

Muito me assusta por estudar uma área técnica relacionada a cinema (montagem) e ao engatinhar na profissão de crítico da mesma área, perceber que pessoas atuantes neste meio possuem pouquíssimo ou nenhum esclarecimento do que vem a ser o papel do crítico. Estarrece-me o fato de indivíduos diretamente ligados à sétima arte acreditarem tão piamente em algo absolutamente paradoxal a própria natureza da critica: a imparcialidade.  Não há nada mais infame do que esperar de um crítico a bendita imparcialidade.  Por um simples motivo, críticos são, antes de serem críticos, seres humanos e não é de nossa natureza que sejamos imparciais.  Tudo que avaliamos ou mesmo realizamos de uma forma ou de outra reside algum tipo de juízo de valor. Sendo assim, toda uma possível isenção é imediatamente abandonada e toma-se forma ali, algum tipo de conhecimento prévio ou mesmo de alguma experiência de vida que impossibilita uma opinião livre de fatores externos. E não me refiro somente a critica em si, mas em qualquer tipo de veículo que tenha por fim, comunicar. Mesmo nesses veículos em que se busca algum tipo de imparcialidade, como telejornais, é facilmente perceptível que a mesma não existe. Há sempre algum juízo sendo feito por redatores ou emissores que de alguma forma alteram a noticia a ser dada. Sendo que essa noticia, já fora modificada por algum outro fator anterior. E de forma alguma podemos associar o jornalismo informativo, a crítica de que quer que seja. O papel do critico é analisar fatos, argumentar em cima deles e de alguma maneira convencer o leitor de seu ponto de vista. Não é fazer com que o leitor concorde com ele, mas que sua análise e argumentos sejam fortes o suficiente para fazê-lo ponderar pontos abordados. É preocupante ainda, ouvir que “não há bons críticos no Brasil, pois não sabem ser imparciais” quando a verdadeira beleza da critica está exatamente na sua parcialidade, na possibilidade de uma discussão indireta de lados opostos. Muito da incompreensão para com o papel do crítico provém da incompatibilidade do ser com a própria. Não gostamos de ser criticados. Isso é um fato. Alguns lidam melhor com isso do que outros, mas ainda não tive o prazer de encontrar ninguém que lidasse alegremente com criticas. As que fossem negativas, claro. O que essas pessoas buscam são textos não-humanos. Textos sem nenhum tipo de transformação. Então me digam, qual a graça disso?


Miguel Moura

O ILÓGICO

As sociedades, acho que desde de sempre, porque não pode ter sido só a partir do Iluminismo, pensam logicamente. Isto é, buscam explicações na simples relação causa e efeito. Uma coisa meio Newton, meio behavorista. Só que, cara, as coisas não tem que fazer sentido nem significar nada. O significado somos nós, humanos, que atribuímos às coisas. Ele não é intrínseco a elas. Daí tanto símbolo no mundo, ou signo não-verbal. O que eu quero dizer é que o que existe se basta na sua existência. Como a arte. Não necessita de análises. Não precisa que se fique procurando razões. Não racionalizemos. Quem faz sentido é soldado.


Mariana Cerino Calazans